Letras Cruzadas

A solidão de um povo esquecido

Admiro essa sociedade. As vezes pergunto se sou eu o louco ou se a sociedade endoideceu. É tanta pressão que as vezes penso que me saltará a cabeça. Ninguém mais se importa com outros. É tudo uma questão de sobrevivência. Sentimos prazer ao olhar os outros de cima.

Quando é que a sociedade aprenderá que já não estamos numa arena, onde temos que por obrigação brigar entre nós e que o resultado final esperado é que apenas um saía vencedor.

Tenho medo, tenho pavor desta gente…desta gente que vende os seus filhos em troca de uns trocos. A maldade anda na rua vestido de ovelha. Por baixo da máscara está um diabo na forma de pessoa. Não se pode confiar em mais ninguém. Receio até das minhas sombras. Será esta a cor do meu sangue?

Não é da fome que tenho medo, mas sim de viver com a fome. E não é da morte que tenho medo, mas de viver com a morte. Haverá esperança num mundo perdido? Questiono ao meu ser solitário. A luz e a escuridão nunca foi de se dar bem. O vazio do espaço, o lugar onde pertenço. É ali onde sempre pertenci. É sempre a mesma música. Perto um do outro, mas longe do coração e ali danço sem parar. Mas ainda vejo uma luz, pequena mas forte!

Geordias Carvalho


A natureza Esquecida

Gosto é da natureza, gosto de ouvir os tin-tirins dos animais, do contacto com o barro; gosto é das coisas simples, dos campos, da gente da terra e da gente como eu. Aqui todos são livres, aqui guiamos pela natureza. Não há liberdade maior que essa! Aqui não há preocupações, não conhecemos a palavra guerra. Aqui vivemos do que a natureza dá, levantamos com o nascer do sol, vamos ao campo e cuidamos dos nossos animais e das nossas plantações e voltamos à casa com o pôr do sol. Aqui todos somos iguais, as mulheres ajudam nos campos. As crianças brincam, saltitam de um lado para outro, brincam com pedaços de paus e cordas; brincam com o que a natureza dá, com um pouco de fios e pedaços de madeiras criam carrinhos de brincar e correm de um lado para outro até não sobrar energia. Aqui somos todos amigos, conhecemos a todos e cuidamos uns e dos outros. Aqui é o início de tudo, onde o único limitador é a própria natureza.

Geordias Carvalho