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A Carta para minha Sobrinha

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Sinto-me mais velho a cada dia que passa. Os anos chegam e com eles as responsabilidades. Lembro quando tinha os meus 10 anos e como desejava ter os 18, mas agora com 23 anos só gostaria de recuar um pouco a trás.

Está semana um anjo, proclamou na minha janela, dizendo que sou tio-avô, uma noticia como está deixou o teu tio muito feliz, o que significa também que estou a ficar velho. É interessante como redescobrimos o tempo quando olhamos a nossa volta. Reparamos que o que era pequeno, agora já é grande e o que existia deixou-se de existir. O tempo passa e a criança que fomos um dia deixamos de o ser e adulto que fomos um dia, agora só nos resta cabelos grisalhos na cabeça. Apesar de ainda ser jovem, começo a sentir a responsabilidade de começar a passar bastão para os que vêm, assim como numa corrida de estafeta. Sei que ainda não sabes ler, mas fica apenas umas dicas do teu tio-avô:

Oh minha sobrinha, não tenha pressa em crescer, aproveita cada momento que for preciso enquanto bebé.

Não seja como o teu tio que desejou ser adulto rápido.

Não tenha receio em tropeçar, o teu tio também já tropeçou muitas vezes; o importante é saber sempre levantar. A queda nos ajuda a ser mais forte.

Faça muitos amigos, é importante termos amigos, nos ajuda a crescer como pessoa. Mas também é importante ter melhor amigo, mas vou deixar isso para o teu critério.

Ouvi sempre a mamã, porque a mãe é fonte da vida e não há ninguém no mundo tão forte e corajosa como mãe.

Oh minha sobrinha, é uma honra ter-te na família. Apesar da distância o tio estará sempre aqui para te apoiar.

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E de repente o vento levou

E de repente o vento levou. Tudo parece tão distante. Ansiava por este dia, mas de repente o vento levou. Passou tão rápido e tão melancólica. Tantos planos, mas para nada serviu. Terei eu uma terceira oportunidade? Pergunto eu, já sabendo resposta.

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Obrigado !!

Por mais difícil que seja o percurso em que estamos, vamos encontrar sempre alguém que nos dá força, para continuar em frente. Saber que não estamos sozinho motiva-nos a seguir em frente.

Uma voz na nossa cabeça que diz, “tu consegues”, “és forte”, “és inteligente”. Isso deixa-nos feliz. Simples palavras pode mudar uma montanha, simples palavras pode mudar um país, simples palavras pode salvar uma vida.

Agradeça todos os dias aquela pessoa que te inspira a seguir em frente. Aquela pessoa que sempre esteve lá para te apoiar e te dar o suporte que precisas.

Um simples obrigado não basta…

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O encontro com a tempestade

Chuva

Passo, passante largo; deixa saudades que se vai passando com tempo; tempos que se vão e não se voltam. Dançantes trovões me acompanham nesta viagem. O vento ondulante manifesta a sua insatisfação. Observo a magnitude do mar, num vai e vem para que não se perdure a saudade da terra. Lembro que já a sete anos que não vejo a minha terra natal. Oh…tempo inimigo do homem! Terei eu ainda tempo? Do lado oposto da ponte, observo uma jovem a lutar contra o vento, desafiando os seus limites. E assim, a chuva dançava solenemente e o vento guiava-o ao seu belo prazer. Um casal de pássaro alegre banhava nos pequenos riachos que se iam formando com as incontáveis gotas de chuva que se vestia sobre nós. O céu rugia e relampagueava, proclamando o seu nome nos quatro cantos da terra. Enquanto espectador observava tudo o que acontecia ao meu redor e tudo a minha volta tinha mais vida do que eu.

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Dias Cinzentos

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-Chegou a hora; dizia ela com rios de lágrimas no rosto.

Um adeus mudo rompeu no fundo do peito; podia ser um até já, mas sabíamos que nesta vida jamais nos encontraríamos. Essa pessoa que se encontrava ali, com a cara pálida estava num sono profundo; o seus cabelos grisalhos transbordava a sabedoria e as suas rugas, as batalhas que na vida conquistou.

Quem foi que deu a morte o direito de opinar nas nossas vidas?

O Juiz que julga, sem freio nas mãos; impõe a sua sentença, sem que tenhamos forma de nos defender. Todos nós estamos ao seu mercê, este não escolhe, pois é autoritário é egocêntrico. Mas o que dá mais medo, não é da morte, mas sim do Homem que se veste de morte, querendo fazer papel de juiz; um mero mortal.

E como num ritmo de musica melancólica, seguíamos como se estivéssemos numa corda bamba; e passo a passo, como quem dançava numa melodia de ninar.

Sentimos a dor, sem ter dor. E como um rebanho, mantínhamos unidos, para que não nos desfalecêssemos no caminho.

Novos dias virão, mas a verdade é que nunca esqueceremos desse dia…cinzento estava o nosso coração e totalmente devastado.

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Querida Noite

Na noite me envolvo com as estrelas, ouço o tin-tirim dos pirilampos, na noite estou só, mas não estou sozinho. Olho para o céu e sinto-me livre, a lua e as estrelas brilham, imagino a passagem do fogo de artificio no verão passado, com os meus amigos, foi um verão quente. Mas agora, aqui sentado na Praça, desejo que este sentimento nunca desapareça.

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Tempo Perdido

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Tempo…

Decidi parar de lutar contra o tempo…não vale a pena. Queria ter dinheiro para comprar tempo, mas depois lembro que o tempo é como a morte não se compra, apenas se aceita. Queria ter mais tempo, mais tempo para dormir, para comer, para estar com a minha família e amigos, tempo para divertir e conhecer o mundo, mas o perdi no caminho. Se um dia sentires a minha falta, fui numa viagem a procura do meu tempo perdido.

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A miragem da Vida

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Não pertenço a este mundo; num ar cansado e pálido sentou-se numa poltrona velha que se encontrava no meio da sala. Sentia-se que não era igual as outras pessoas,onde a felicidade parecia transbordar-lhes como se fosse algo fácil de conseguir. O Felizberto, de felicidade só tinha no nome, até parecia ser a ironia do destino! Quando nasceu, a sua mãe lhe deu esse nome, em memoria de um amigo de infância que por infelicidade faleceu de uma doença prolongada. O tempo da vida é muito curto, olhando bem, parece uma ampulheta e quando acaba não há volta a dar, apenas fica uma pequena miragem da história para quem fica para trás – Não quero ter uma morte dorida. No dia que que eu sair da cena e as cortinas se fecharem, quero ser lembrado como alguém que encarou a vida como uma tempestade depois de um longo ano de seca.